skip to Main Content
Escrever é parte do bem viver

Escrever é parte do bem viver

“Escrever é muito difícil!”. Esta é, sem dúvida, a frase que mais escuto nos últimos cinco anos quando, em sala de aula, pergunto aos meus alunos se gostam de escrever. E, não raro, outras pessoas que sabem que trabalho com escrita perguntam-me: “Como você aguenta?”. Está claro que nem todo mundo tem apreço por produzir textos, mas é evidente que estes são parte da nossa vida e, quando se compreende a conexão entre o escrever e o existir, passamos a olhar para essa questão de forma diferente.

Tudo ao nosso redor é texto, e posso provar. Os estudiosos mais contemporâneos da Linguística do Texto – uma área da Linguística que, como o próprio nome sugere, dedica-se a estudar o objeto texto e seus desdobramentos – afirmam que, já há algum tempo, texto deixou de ser concebido como um conjunto de frases e/ou orações. A definição mais recente considera que texto é tudo aquilo que produz sentidos (sim, no plural!) e, assim, desenhos, pinturas e fotografias podem ser considerados textos.

A partir disso, podemos dizer que estamos, constantemente, rodeados por textos. Quando crianças, lemos o ambiente em que estamos pelas coisas que vemos ou pelos cheiros que sentimos. Os bebês acostumam-se com a voz de suas mães desde o ventre e, ao nascerem, decodificam-na de alguma forma. E seguimos lendo, da tenra infância à nada mole vida adulta. Às vezes, por opção; muitas vezes, por obrigação, mas seguimos rodeados e imersos nos textos.

Mesmo àqueles que não se interessam pela leitura de contos, novelas, romances ou outros gêneros literários, é inegável que, hoje mesmo, qualquer um já leu alguma postagem por aí, nas redes sociais, enquanto tomava um café ou procrastinava uma tarefa cotidiana. E mesmo essas leituras são válidas, porque despertam olhares a realidades outras, além daquela em que se vive. E o que a escrita tem a ver com isso? Ora bolas, leitura e escrita andam bem juntinhas, lado a lado. E você já deve ter ouvido alguém dizer isso, mas vou explicar melhor como se dá essa relação.

Dizem que quem lê bem também escreve bem e vice-versa. A questão é que a leitura não só amplia o nosso vocabulário e traz inúmeros benefícios – à saúde, inclusive, algo tão caro em nossos tempos –, mas permite-nos conhecer estilos de escrita diferentes. Cada indivíduo tem um jeito único e particular de se comunicar e de se expressar – em forma e em conteúdo – e, por isso, quanto mais textos lemos mais perspectivas conhecemos. Mais do que um amontoado de parágrafos, um texto é uma forma de olhar para as situações cotidianas e para a vida. E por que não uma forma de olhar para nós mesmos?

Assim, quando lemos, aprendemos também sobre a escrita, porque reconhecemos, em cada texto, a sua singularidade e o que há de especial em cada voz que ali fala. Quantas vozes temos ouvido nesses tempos pandêmicos, por meio de textos orais e escritos? E como organizar tudo isso? Como reconhecer aquilo que realmente nos serve? Só mesmo pela escrita. Escrever, o que quer que seja, ajuda a reorganizar o que sentimos e, portanto, a descartar aquilo que pouco ou nada nos agrega. Escrever permite a partilha do que pensamos, do que sentimos e da nossa forma de olhar para mundo. É ou não é uma troca enriquecedora e prazerosa com o outro?

Professora de Redação há cinco anos no Colégio Platão, sou suspeita em falar do quanto escrever é necessário na vida cotidiana. Insisto nessa ideia, diariamente, em minhas aulas e tento mostrar que escrever é parte do comunicar. Humanos, seres de linguagem que somos, carecemos de uma boa comunicação para fazer fluir a vida. Por isso, procuro sempre mostrar aos alunos platônicos todas as situações em que a comunicação, a partir da leitura e da escrita, se faz necessária. Na prática, discutimos textos sempre muito atuais, dialogamos e debatemos sobre temas diversos – dos mais tranquilos aos mais pungentes –, instigando-os a organizarem o que pensam e sentem a partir da escrita.

Do ponto de vista didático, escrever é, ainda, um processo e, por isso, organiza-se em etapas. Aprendemos, em nossas aulas, a importância de organizar um texto e, também, que nenhum escrito é um produto pronto e acabado. Pelo contrário: tudo o que escrevemos está sujeito a revisões. Há sempre espaço para um olhar amadurecido à escrita que seja capaz de reinventá-la e torná-la mais eficaz. Substitua, na frase anterior, a palavra “escrita” pela palavra “vida” e entenderá, perfeitamente, a estreita relação entre uma e outra.

As aulas de Redação no Colégio Platão vão para além da busca por uma nota máxima no vestibular. Sem dúvida, isso é importante, mas a compreensão de que escrever é parte do bem viver ultrapassa os limites da lista dos aprovados.

Por Gabriela Marques Valdevieso
Professora de Redação do Colégio Platão

Compartilhe:

Colégio Platão

Fundado em 1985, o Colégio Platão, por meio da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, transformou-se em referência na educação para crianças e jovens de Maringá e região. Nestes 30 anos, o Platão tem ensinado milhares de estudantes e ajudado a formar milhares de cidadãos.

Este artigo tem 0 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top
Abrir o chat
Precisa de ajuda?
Olá!
Como podemos te ajudar?